Continuação 3 Desabafo 01

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Eu aceitei então a proposta dele. No dia seguinte eu já iria pro estágio de forma remunerada, mas assim que esse dia chegou eu já não aguentava mais. Foi a gota d'água para mim. Eu mal havia chegado no escritório e já estava sendo tratada de qualquer jeito. Eu já conseguia mais segurar minhas lágrimas e sentia que estava ficando doente. Então eu levantei e fui até o sócio, marido da mulher, dizer que não queria mais a proposta. Ele disse que iria almoçar e já conversava comigo. Mas não foi o que aconteceu. No lugar dele, veio ela, gritando, me dizendo coisas horríveis como se quisesse colocar a culpa de tudo que estava acontecendo em mim. Dizendo que eu era fraca e não aguentaria estar no lugar dela, que eu nunca havia trabalhado antes e não tinha experiência nenhuma, que ainda passaria por coisas piores. Se ela queria me colocar lá em baixo, ela conseguiu. No fim das contas, percebeu que havia feito besteira e que precisava de mim. Eles tinham muito serviço e pagariam só a metade do salário para eu ajudá-los e eles não tinham tanto dinheiro assim mais. Eu era a salvação para eles. Ela me pediu desculpas, disse que me entendia e que realmente não deveria ter me tratado daquela forma e disse que eles precisavam de mim lá. Eu enxuguei minhas lágrimas e disse que continuaria. Mas fui embora chorando e em casa minha mãe e o Daniel disse que eu não ficaria lá mais, não estava sendo bom pra mim.
No outro dia, fui até o escritório e coloquei um ponto final no meu sofrimento. Era melhor ficar desempregada e sem dinheiro do que doente suportando o mal humor dela. Eu chorei muito por dias e senti que nunca conseguiria um bom emprego, que não era boa o bastante e que talvez ela tinha razão, talvez fosse culpa minha as coisas não darem certo.
Continuei meu estágio na UFTM, era o último mês. E aí eu decidi tomar a atitude de tirar minha habilitação de moto. Porque se eu conseguisse um emprego, seria tudo muito corrido e com uma moto as coisas poderiam ficar mais fáceis, talvez menos cansativo. O Daniel me emprestou o dinheiro então e aí eu comecei as aulas.
Eu sou uma pessoa medrosa, então tive uma dificuldade imensa nas aulas. Eu não tinha confiança e me desequilibrava muito no início. Com o tempo fui melhorando e fui pra pista de cima, a que faz o exame. Tinha as minhas dificuldades e os meus medos, mas acreditava que daria certo e que não seria tão difícil quanto foi a de carro. Mas foi. No meu primeiro exame eu fiz todas as etapas mas desequilibrava as vezes e perdi 4 pontos por movimentos irregulares. O máximo que podia perder era 3. Na segunda vez eu estava tão, tão nervosa, havia pagado um valor absurdo na reprova que eu não esperava e fui nervosíssima fazer o exame. O resultado foi que eu não consegui nem concluir a metade da prova, caí o pé errado e perdi 3 pontos de uma vez e foi reprova na hora, nem pude terminar a pista. Fiquei chatiadíssima, chorei muito e pensei em desistir várias vezes. Meu psicológico estava abalado demais pra ficar pagando um valor altíssimo todo mês para chegar la, ficar nervosa e perder tudo em 2 minutos. E é aí que eu chego no meu momento atual.

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